#SIA2020

Kalila de Oliveira Bassanetti, Rafaella de Souza Serafim

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Título: AUSÊNCIA QUE REVELA: ARQUIVOS PESSOAIS DE MULHERES EM INSTITUIÇÕES ARQUIVÍSTICAS PÚBLICAS NO RIO DE JANEIRO

Área temática: Arquivos pessoais

Autores: Kalila de Oliveira Bassanetti, Rafaella de Souza Serafim

Palavras-Chave: arquivos pessoais, representatividade, mulheres, instituições arquivísticas públicas.



Resumo: Arquivos pessoais são constituídos por documentos produzidos e acumulados pelos indivíduos ao longo de suas vidas. Sua produção reflete elementos da identidade, do tempo e do espaço ao qual o sujeito esteve inserido durante sua trajetória. Dentre as diversas possibilidades de pesquisa oferecida por esses documentos, o presente trabalho propõe uma análise voltada para a presença dos arquivos pessoais de mulheres dentro das instituições arquivísticas de caráter público da cidade do Rio de Janeiro. Alguns autores definem instituições arquivísticas públicas a partir de sua atividade-fim, ou seja, as cujo objetivo final seria a gestão, recolhimento, preservação e acesso de documentos produzidos por uma dada esfera governamental. Nesse sentido, na cidade do Rio de Janeiro, podemos localizar três instituições com essas características: Arquivo Nacional, Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro e Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, cujas informações disponíveis para a consulta em seus respectivos bancos de dados permitiram recolher informações como: forma e data de entrada dos arquivos de mulheres nas instituições, data de nascimento, e informações sobre sua formação e ocupação. Estes dados foram cruzados com os da pesquisa biográfica das mulheres, feitas por outros canais, como forma de melhor identificarmos as produtoras dos acervos. Vale ressaltar a dificuldade no que tange a disponibilização de informações sobre essas mulheres nas bases de dados e, por isso, a necessidade de estudos complementares sobre estas produtoras. No total, localizamos 32 acervos de mulheres no Arquivo Nacional, 4 no Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro e 2 no Arquivo Geral da Cidade do Rio Janeiro. Após a fase inicial da pesquisa, que envolveu o levantamento dos acervos no banco de dados das instituições, e uma pesquisa mais elaborada da biografia das mulheres, foi possível apresentar algumas observações preliminares. Sendo elas: a forma de entrada dos acervos nas instituições, a maioria através de doação; o contexto em que nasceram e atuaram, com uma maioria de mulheres nascidas no século XIX e XX; e suas formações e ocupações, que sublinham uma notoriedade que diverge do papel atribuído a elas nesse contexto. São mulheres que trabalharam como professoras, cineastas, advogadas, assistentes sociais, jornalistas e atrizes. Destacam-se também aquelas que tiveram formação na área do Direito, História, Letras, Economia e Ciências Sociais. Ao relacionar esses dados de formação com a época em que essas mulheres nasceram e atuaram (século XIX e XX), encontramos uma nova chave de leitura para o papel feminino desse período, essencialmente vistas como donas de casa. Como sugerem os dados, seus arquivos foram recolhidos por seu reconhecimento social e envolvimento político, inclusive na ditadura e na luta pelo movimento feminista. Por fim, a pesquisa também revela a falta de representatividade nas instituições arquivísticas, e essa é uma questão que vem preocupando especialistas que almejam preservar uma memória que reflita a sociedade atual. Analisar as instituições e as características dos arquivos pessoais custodiados por elas é importante para incentivar novos padrões, principalmente se considerarmos que elas são reguladoras de outras instituições. Para os arquivos pessoais de mulheres isso se torna ainda mais evidente e urgente, já que pode trazer pistas para promover uma arquivologia mais inclusiva e dar voz a mulheres que tiveram suas histórias silenciadas de tantas outras formas. Orientadora: Profª Drª Patricia Ladeira Penna Macêdo

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