#SIA2020

Alessandra Nóbrega Monteiro, Anna Beatriz Oliveira Menezes Costa

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Título: Duas feministas em 1930: os arquivos pessoais de Anna Amélia Carneiro de Mendonça e Rosalina Coelho Lisboa

Área temática: Arquivos pessoais

Autores: Alessandra Nóbrega Monteiro, Anna Beatriz Oliveira Menezes Costa

Palavras-Chave: Arquivos Pessoais; Feminismo; Gênero; Era Vargas



Resumo: A quem quiser dedicar-se à pesquisa da história do feminismo brasileiro, sobretudo durante a agitada década de 1930, os arquivos pessoais de Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça (sigla AACM) e de Rosalina Coelho Lisboa (sigla RCL), depositados no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (FGV CPDOC), são valiosas fontes históricas. Feministas e ativistas políticas brasileiras, os acervos de Anna Amélia e Rosalina expressam a heterogeneidade e a multiplicidade da militância feminista no Brasil. Embora apresentem semelhanças, ambas as titulares compartilham do mesmo gênero, raça e classe (mulheres, brancas e da elite carioca), entretanto, Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça e Rosalina Coelho Lisboa traçaram caminhos distintos para a conquista do mesmo objetivo: a emancipação política das mulheres. Enquanto Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça é notável por sua atuação como poetisa, presidente da Casa do Estudante do Brasil e vice-presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, além de ser bastante ativa na luta feminista (participando de eventos nacionais, principalmente a respeito do sufrágio universal feminino, e eventos internacionais, como o Congresso Feminino de Istambul de 1935 e a Comissão Interamericana de Mulheres de 1942); Rosalina Coelho Lisboa, ao mesmo tempo em que defendia a igualdade política entre os gêneros e a inclusão feminina na política, também é conhecida pela sua militância política enquanto tenentista, integralista, anticomunista e partidária da política fascista do Eixo – não à toa a titular gozava de influência e prestígio com o presidente Getúlio Vargas, sendo enviada a eventos internacionais como representante do Brasil em múltiplas ocasiões como a Comissão Interamericana de Consolidação da Paz de 1936 e a Comissão Interamericana de Mulheres de 1939. Nesse cenário, o presente trabalho propõe-se a debater o conteúdo dos arquivos pessoais e a história dessas titulares cujas trajetórias convergiram em diversos pontos; dentre eles, a documentação. A metodologia adotada para tal análise consiste em dois segmentos: o primeiro, a consulta à base dos documentos digitalizados dos dois arquivos no portal da FGV CPDOC, principalmente das séries Militância Feminista (AACM mf), Participação e Colaboração em Associações, Órgãos e Institutos (AACM pca), Correspondência (RCL c) e Congresso da União Latina (RCL cul); o segundo, a nossa experiência de atuação, enquanto estagiárias do Programa de Arquivos Pessoais (PAP) na Casa Acervo da FGV CPDOC, na organização do arquivo de Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça e na revisão do arquivo de Rosalina Coelho Lisboa. A pesquisa indica as redes de contato, no Brasil e no exterior; a ação na gestão varguista, que nomeou-as como Delegada do Brasil; o contexto social, em diálogo com os altos estratos econômicos; e a constituição de um feminismo em torno do debate sufragista e de autonomia da mulher na sociedade brasileira. Com isso, o objetivo do nosso trabalho, orientado pela professora e analista de documentação e informação do CPDOC, Carolina Alves, é destacar a narrativa de Anna Amélia e Rosalina em um quadro que privilegiou, historicamente, a perspectiva masculina.

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